Editorial
Gotas de Amor
Havia um incêndio num grande bosque de bambu; O incêndio formava labaredas impressionantes, de uma altura extraordinária.
Uma pequena ave, muito pequenina, foi ao rio, molhou as suas asas e regressou sobre o grande incêndio, e começou a agitá-las na tentativa de apagar o fogo; e regressava e tornava a ir uma e outra vez;
Os sábios que a observavam, surpreendidos mandaram-na chamar e disseram-lhe:
Ouve lá, por que é estás fazendo isso? Como é possível?
Como crês que com essas gotinhas de água podes apagar um incêndio de tais dimensões?
Não vais conseguir!
A ave humildemente respondeu:
O bosque deu-me tanto, gosto tanto dele, eu nasci aqui!
Este bosque me ensinou o importante que é a natureza, este bosque deu-me tudo, ele é a minha origem, é a minha casa! E eu vou morrer lançando gotinhas de água, ainda que não possa apagar o fogo.
Os sábios entenderam o que fazia a pequena ave e ajudaram-na a apagar o incêndio; ela não estava a derramar somente gotas de água..., ela estava derramando gotas de amor!
Às vezes sentimo-nos que nem esta pequena avezinha.
Minúsculos ante alguns ”oceânicos” acontecimentos.
Pouco mais podemos fazer que verter uma gota do nosso trabalho, da nossa compreensão do nosso tempo e do nosso ser para tentar apaziguar tantas tempestades.
Tão certo como para aquela avezinha, não conseguiremos apagar grandes “fogos” mas poderemos aliviar muitas pequenas dores, não sucumbindo ao ridículo dos sábios.
Não menosprezemos uma gota pois milhões delas formam um oceano.
Ana Soares Mendes |