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Opinião na edição de 1303, de 26 de Novembro de 2010

As sanguessugas
Quem não as conhece ? São uns bichinhos simpáticos, aparentemente inofensivos, que se movimentam, normalmente, em águas conspurcadas, (vulgares entre nós), impulsionando o corpo esguio para um e outro lado, sem parar, até se fixarem onde lhes convém (a mesa do orçamente).
Abrantes não foge à regra. Embalados por uma dinâmica doentia, que nos conduz a situações insustentáveis a médio prazo, continuamos a tomar conhecimento de projectos que enxameiam a mente dos nossos autarcas, que não param de sonhar, como se ainda estivessem em campanha eleitoral, a inventar papas para enganar os tolos. Desenganem-se, o vosso ciclo aproxima-se do fim. “Quem se estende mais que a cama, fica com os pés de fora” e mesmo com calças, já vemos os vossos joelhos.
As últimas notícias dão-nos conta de parqueamento para autocarros de turismo, no heliporto, sem esclarecerem como é que eles lá vão chegar, sem intervenção da PSP para “limpar”o percurso e controlar o trânsito (ali não há ciganos) e de novo projecto para Requalificação do Centro Histórico que, além de fidelizar mais uns “bichinhos simpáticos” e consumir mais alguns euros dos nossos impostos, não vai alterar, em nada, a vida do centro histórico. As ruas continuarão a ser estreitas, os estabelecimentos comerciais continuarão a abrir e a fechar, os edifícios degradados continuarão a ser cada vez mais. A edilidade vai arrepender-se de sobrecarregar o IMI desses imóveis, quando verificar que os proprietários preferem deixar “relaxar” a respectiva contribuição. Em última instância, adivinha-se uma “imobiliária municipal”, com mais uns bichinhos simpáticos a juntar aos que já temos, para administrar imóveis cuja recuperação é economicamente inviável (ruas estreitas e obras muito difíceis de executar).
Por mim, recomendava uma análise às águas locais, feita no Laboratório Nacional da Irlanda, com pedido de receita para o pesticida adequado.
Artur Lalanda






 

 

 

 

 



 
 
 
 
 
 

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